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segunda-feira, março 09, 2009

Os pecados da Santa Igreja


Estou, infelizmente, por várias razões, algum tempo afastada deste espaço. Gostaria de voltar, neste dia dedicado à mulher, postando um poema ou qualquer outro tipo de expressão artística, que é ao que se destina este blog.

No entanto, hoje, no Dia Internacional da Mulher, preciso registrar minha indignação sobre o caso da menina de 9 anos!!, violentada sexualmente e engravidada de gêmeos pelo padrasto, na cidade de Alagoinha, interior de Pernambuco. O monstro, que molestava continuamente a menina desde seus 6 anos e também a irmã de 14 – deficiente física e mental –, ainda teve a ousadia de dizer que as meninas o “provocavam”!

Sabemos que monstruosidades como essa acontecem, todos os dias, pelo mundo afora. Mas este caso, em especial, horroriza não apenas pela crueldade de um crime hediondo, como também pela atitude, no mínimo, pecaminosa da Igreja Católica: fielmente representada pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou a mãe da menina por ter permitido interromper a gravidez da filha.

Sendo que os médicos que acompanharam o caso concluíram que somente o aborto salvaria a vida daquela criança subnutrida e franzina. Isso sem contar que, tendo (apenas!!) 9 anos, e, portanto, com os órgãos ainda em formação, não suportaria carregar mais duas crianças em seu pequenino ventre.

Mas essa, ainda, não era uma razão suficientemente forte para a Santa Igreja Católica que, na pessoa de dom José, puniu também os médicos pelo crime de aborto. (É importante dizer que, em momento algum, dom José sequer mencionou o estuprador). Para dar a “última paulada”, num comentário aterrorizador, disse ainda que o crime de aborto é pior do que o de estupro.

Diante desse absurdo, fico aqui me perguntando: para quem, neste caso, o crime de aborto é pior? Quem determina isso? É Deus? Ou são os homens da Santa Igreja?

Não discuto a posição da Igreja ser contrária ao aborto. Envolve princípios. Mas temos de pensar, antes de tudo, que cada caso é um caso. Temos de pensar e agir, antes de tudo (uma vez que a menina corria risco de morrer) com misericórdia. Não é isso que prega a Igreja? Neste caso, ao excomugar mãe e equipe médica, a Igreja Católica, mais uma vez na sua história, transgrediu suas próprias leis. E, pecou.