"O tráfico negreiro transatlântico é a maior tragédia da história da humanidade, por sua amplitude e duração."
Jean-Michel Deveau
Esta página é principalmente dedicada às literaturas afro-brasileira e africana de língua portuguesa, especialmente à poesia de autoria feminina.
No poema "Os herois", Conceição Lima recorre às lembranças do passado para onde "recuam em silêncio as estátuas". A poeta convida o leitor a uma reflexão sobre a realidade de seu país no período pós-independência, uma vez que vinte e nove anos se passaram (o poema foi tirado do livro "O útero da casa", de 2004), mas alerta para o fato de que boa parcela dos "mortos que morreram sem perguntas", através de seus descendentes "regressam devagar de olhos abertos".
A poeta da vez é Christina Ramalho. Carioca, nascida em 1964, a Chris é mestre e doutora em Semiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além de artista plástica (dona de belíssimas pinturas!), é também escritora de mão cheia: ensaísta, cronista, contista, poeta, crítica literária, tendo vários livros publicados.
Noémia deixou Maputo com destino a Lisboa em 1951, tendo dali emigrado para Paris em 1964. Regressou a Lisboa em 1975, onde residiu e trabalhou como jornalista e tradutora até o seu falecimento em dezembro de 2002.[1]
Seu poema Magaiça[2] aponta para o trabalhador moçambicano que emigrava para as minas do Rand ou compounds (áreas de exploração) da África do Sul. Sonhando com uma vida melhor, retorna à terra na condição em que partira, miserável como sempre.
[1] Informações biográficas retiradas de http://koluki.blogspot.com
[2] Magaíça - mineiro moçambicano regressado da África do Sul
[3] Mamparra - pessoa rústica
[4] Nhanisse - deveras, na verdade
[5] Componde - os acantonamentos ou «reservas» de trabalhadores na África do Sul (do inglês compound); barracão, camarata
[6] Rand - (top. sul-afr.) Unidade monetária principal da África do Sul e da Namíbia
[7] Jone - abreviatura de Joanesburgo = Djoni (= John, Johne) - minas do Rand.
Este é mais um belíssimo trabalho que posto aqui de Monica Stewart, uma artista plástica norte americana, da Califórnia. Econtrei-a aqui quando procurava gravuras de temas africanos para "dar acabamento" a um trabalho de final de curso.
Poesia de Tom Zé em homenagem a Michael Jackson.
Negro da luz que desbota branco
Tanto talento tormento tanto
Tanta afronta de pouca monta.
Eia! virtudes em farta ceia
Todo encanto que pode o canto
Toda fiança que adoça a dança.
Que deus nos furta vida tão curta?
Mundo lamenta: ele mal cinquenta!
A ninguém ilude essa bruxa rude.
Paroxismo desse Narciso
Que achou desgosto no próprio rosto
E apedrejou-se com faca e foice.
Avança a rua (uma dor que dança)
E em seus telhados mandibulados
Requebra os hinos do dançarino.
Niños, rapazes, se sentem azes
Herdeiros todos e seus parceiros
Revelam parque, porto e favela.
II
Da Grécia três te trouxeram Graças
Arcas repletas de belas artes
Arcas que deram ciúme às Parcas.
Que luz trarias tu, mitologia,
Para um tal desatino de destino
Que o espandongado toma por fado?
Porque o povo grego disse que
Se a hybris o herói consigo quis,
Se condiz ao lado dela ser feliz
Ele mesmo será pão e maldição
Enquanto gera para os olhos de Megera.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u587877.shtml
Sobre o autor: Tom Zé, nome artístico de Antônio José Santana Martins, nasceu em Irará, Bahia, em 11 de outubro de 1936. É compositor, cantor e arranjador, sendo considerado uma das figuras mais originais da música popular brasileira. Participou ativamente do movimento musical conhecido como 'Tropicália' nos anos 1960 e se tornou uma voz alternativa influente no cenário musical do Brasil. A partir da década de 1990 também passou a gozar de notoriedade internacional, especialmente devido à intervenção do músico britânico David Byrne.(http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom_Ze)
SER E NÃO SER

“Changing we need” é o ponto central nos discursos do senador em sua corrida à Casa Branca, visando uma nação justa. Essa mesma justiça, a que todos os americanos teriam direito - de acordo com a Constituição e a Declaração da Independência daquele país, cuja promessa era a de que todos os homens, negros e brancos igualmente, tivessem garantidos os “direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à busca da felicidade” - foi a principal motivação dos discursos do pastor, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1964.
Mais do que como estratégia política, o discurso de Obama, assim como o de King, soa como um apelo à consciência. King acreditava no triunfo de “negros e brancos, juntos” compartilhando um propósito comum. E Obama é exatamente isto: o negro e o branco, juntos!, conforme disse em um de seus discursos: "Nestas eleições não se trata de escolher segundo a região de cada um, a religião ou o gênero. Não se trata de ricos contra pobres, jovens contra velhos, nem brancos contra negros. Trata-se (de uma batalha) do passado contra o futuro".
E então a história se repete. Esperamos, neste caso, que não em sua totalidade... Martin Luther King, em 3 de abril de 1968, disse: “Bem, não sei o que acontecerá agora. Dias difíceis virão. Pois eu estive no topo da montanha”. No dia seguinte, um tiro calaria a sua voz, mas não seus sonhos e ideais.
Se dessa vez não houver “pane no sistema” na apuração dos votos, Barack Obama chegará ao topo da montanha, pois, como diria King, “seria fatal para a nação ignorar a urgência do momento”. É o momento de lembrarmos que ele tinha um sonho, e, gosto de acreditar, esse sonho está a um passo de se concretizar, nas palavras do senador de Illinois. "Sim, podemos mudar tudo isto. Podemos mudar nossa nação e construir um futuro novo". Assim seja.
Esperamos que suas ações correspondam às suas palavras.
“Oh, Deus, misericordioso Pai do Céu, ajude-nos a ver as revelações que vêm dessa nova nação”. (M. L. King, Montgomery, Alabama, em 7 de abril de 1957).
Referências:
"O diabo que te carregue" (romance, 2006), de Stella Florence*, é um livro de leitura fácil, descomplicada, objetiva. Com sua escrita leve e bem-humorada, a autora aborda um tema bem comum nos dias atuais: a separação de casais, que, quase sempre, não é nada amigável... É leitura bastante interessante mesmo para aquele(a)s que não estejam passando por esse difícil momento. Difícil porque uma separação nunca vem sozinha: vem sempre acompanhada de outros sentimentos nada fáceis de serem administrados... Ainda assim, dei muita risada, algumas cenas são hilárias como esta aí. Quem já passou por isso sabe que é desse jeito mesmo! ;-)
Vozes-mulheresÁFRICA
(Aos manos Africanos)
África
O que fizeram de ti...
.
África Negra
De tantas riquezas
Quanto mal a ti
Fizeram
À tua gente
À tua beleza
.
África Incolor
- porque a alma
não tem cor -
O que fizeram a ti
Ao longo
Desse monstruoso
Holocausto
- que perdura! -
De opressão e de dor
África Mãe
O que fizeram a ti...
.
Alheios
Ao teu consentimento
Teus filhos
Foram arrancados
Do teu seio
E acorrentados
Passaram a viver
Suas Histórias de porão
Por mares
Nunca d’antes navegados
O mar da escuridão...
O mesmo mar
Que tuas lágrimas
Ajudaram a salgar
.
África Retinta
Teu tão extenso
Continente
Diz a toda a gente
Tu és Preta
Tu és Black
Tu és Negra
Tu és Branca
És Negra Assa[1]
Tu és Fula[2]
És Mama-África
.
Estás em todos
Os lares
Em todos os Cantos
E recantos
Desses Mares
.
Mas não apenas
Os de Lusitanos ares
.
Também, aqui,
Na América do Sul
Há uma gente
Que de irmã te chama
Que é parte de ti
E do teu drama
.
Uma gente
Que se orgulha
De ter teu sangue
Nas veias
Corrente
Teus descendentes
.
Somos nós
Da Terra das Palmeiras
Onde canta o sabiá
Teus manos
De cá
Das terras Brasileiras
.
Hoje um oceano nos separa
Mas aqui deixaste
Uma herança de base
A tua fala
Estás cotidianamente
Presente
No “pirão”, na “quitanda”,
No “samba”, no “fubá”...
- “Oxalá”!
.
África Diáspora
Agora mais do que nunca
Levanta-te
Toca teu tambor
Mostra ao mundo
A Cor
Desse teu imenso
Valor
.
(Veronica Benesi) Belo Horizonte, MG, Brasil, 02 de junho de 2008.
[1] Assa (A) — o negro albino
[2] Fula (A) — de cor parda e brilhante (filha de pessoa mulata e negra)