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segunda-feira, junho 27, 2011

SACIEDADE DOS POETAS VIVOS - VOL. XII


 vol. 12 - POEMAS DEDICADOS

(clique  AQUI  para ler o livro)


Lançado hoje, 27/06, o volume XII da Antologia Digital Saciedade dos Poetas Vivos, cujo tema é 'Poemas Dedicados'.

Participei do volume X com o tema 'Beijos', e tenho a grata satisfação de mais uma vez fazer parte desse belo projeto realizado pela Editora Blocos.

Admiro muito a dedicação e empenho incansáveis de Leila Míccolis e Uhracy Faustino, os organizadores da Saciedade, por realizarem um trabalho que dá visibilidade aos poetas iniciantes e ainda mais solidez aos já consagrados.

Parabéns a todos!

quarta-feira, março 16, 2011

ENCONTRO




Um encontro 
Um olhar 
Um sonho 
E o medo 
            de amar
 
Um passeio 
Um gesto 
Um anseio
Um afeto 
E o desejo 
            de amar 
 
Um estrangeiro 
Um sim 
Um presente
Um homem inteiro
Enfim
            para amar 
             
Um pedido
Uma esperança 
Um só destino 
Uma aliança
Uma corrente 
E o compromisso 
                        de amar

Uma lua-de-mel 
O mar
Um limite 
O céu 
Um anel 
O altar

O sentimento 
O infinito 
O olhar atento
O ninho 
E o casamento 
                        pleno

(VB) 

terça-feira, março 15, 2011

SONETINHO PARA CLARA E JULIANA

 

Tema de poema, ter ou não filhos,
É uma questão pra lá de enjoadinha.
Tal como um trem sem os devidos trilhos,
Impossível a vida sem Clarinha.

Viveria vida vã; sem rastilhos,
Se não fosse minha Julianinha
A dar tanto encantamento e rebrilhos,
Tal como Sininho, à vida minha.

Ter ou não ter filhos? Eis a questão...
Foi quando um anjo torto disse assim:
Que de uma assistida inseminação,

Clara e Juliana viriam, enfim.
O milagre da vida se fez então!
Sempre soube o danado querubim.
 (VB)

quinta-feira, março 03, 2011

À TODAS AS MULHERES DO MUNDO: FELIZ DIA 08 DE MARÇO!

 
Flores da Praça da Liberdade, BH

MARIA

E agora, Maria?
Você que hoje em dia
Faz seu próprio destino
E entre atinos e desatinos
É você quem decide se procria

Você que não dá conta
De ser apenas uma
Você que se desdobra
Em suas várias Marias
Você que é mulher
É mãe e é filha
Você que é amiga
Que é companheira
Você que é vadia
Que é submissa
Você que é guerreira
Da noite e do dia.
E agora, Maria?

Você que faz suas preces
Coração em agonia
Roga à Nossa Senhora
Voltem sãos e salvos
Seus filhos
Da batalha do dia-a-dia
Da labuta no asfalto
Onde vendem suas balas
Defendem algum trocado.

Você que se arma de coragem
No prazer ou na dor
Que vive na eterna batalha
De provar o seu valor
Você que dá à luz
Neste mundo de trevas
Que é dona do seu corpo
Mas é jogada às pedras
Ao mínimo gozo.
E agora, Maria?

Você que é da vida
Você que é dádiva
Você que é dama
Você que é fálica
Você que é do povo
Você que é do mundo
Que é de programa
Você que não faz drama
Você que não é nada.

Você que perpetua a espécie
Tem seus direitos restringidos
Você que tem sede de justiça
E mais do que isso:
Enfrenta quem lhe discrimina
Você que não se rende
Às diferenças de gênero
Você que é a própria Vênus
Que é beleza, amor, aconchego
Que supera a miséria do mundo
Você que dá o peito
Que alivia da fome
Você que tem nome
Você que é Maria

(VB)

Inspirado no poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

OS AMANTES

 

OS AMANTES

No embate de corpos
do fogo que arde
sob os lençóis
em posições oblíquas
os amantes lançam sua sorte
enquanto o amor invade
em seus estados de morte
em generosas doses fluidas
(VB) 

sábado, fevereiro 26, 2011

SINA


SINA

Estava à toa na vida
À beira da piscina
Observava pessoas
Indo e vindo

Julietas sem Romeus
Em seus minúsculos biquínis
Conversavam sobre com quem farão
A próxima lipoaspiração...

Valha-me Deus!
Estão fatigadas as minhas retinas
Eu aqui em busca de uma rima
Paro e penso:
Será essa minha sina?
 
 (VB)

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Inquietude

Mudar de estado

Mudar os desejos

Mudar os abraços

Mudar os beijos

Mudar os espaços

Mudar a dança

Mudar os compassos

Mudar os passos

Mudar os laços

Desatar os nós...

(VB)


sexta-feira, dezembro 10, 2010

Feliz Natal

("Natal Brasileiro", de Raimundo Nonato Oliveira)

NATAL

Mais um 25 de dezembro,
mais um Natal.
mais um ano, Cristo,
que nós, teus irmãos,
comemoramos teu nascimento
de modo quase obsceno!

Porque é Natal,
em teu nome
há uma corrida louca
ao centro comercial
em busca de presentes
que trocamos com os amigos,
com os parentes.
Sendo que muita gente
o significado desse ato
desconhece.

Porque é Natal,
há também os comes e bebes,
mas nada de simples croquetes,
frango assado ou espaguete.
Pelo menos, o peru e o bacalhau
são esperados...

Mas é Natal
e nessa epifania,
católicos ou ateus,
poucos atinam
que é teu o dia.

E então é Natal.
Mais um ano, Jesus,
que nós, teus irmãos,
ao te ver na cruz,
dizemos com muito orgulho,
e pouca reflexão...
- Nasceu para salvar o mundo,
esse menino!
Mas nesse mundo sem razão,
mesmo para o Divino
é tarefa assaz difícil
comungar guerra, paz e pão.

Há um Cristo, Jesus,
em cada um de teus irmãos
que sofrem as mesmas injustiças,
maus-tratos, ciladas,
e tantos e variados enganos,
sem teto, sem nada.
Sem alimento para o corpo
ou para a alma
cada um carrega sua pesada cruz.

Mas é Natal, afinal!
Tentamos todos seguir,
sem muita convicção, devemos admitir,
Tua doutrina de ética e de redenção.

Teremos nós, teus irmãos, alguma salvação?

(VB)

quarta-feira, outubro 06, 2010

FLIPORTO 2010


foto daqui


O COMEÇO

Há dois pontinhos
pulsando
dentro de mim
Grávida
a vida convida
Juliana e Clara

(VB)

Esse poema fará parte de uma coletânea dos cem melhores poemas escolhidos neste concurso.

quarta-feira, agosto 04, 2010

"SOB O SIGNO DO AR"



Imagem disponível no Google Imagens

“SOB O SIGNO DO AR”
(para Christina Ramalho)

Sob o signo do ar,
filha de Dédalo,
irmã de Ícaro,
– mas não tão louca! – é ela quem diz.

Chris tem algo de pássaro.
Abre suas asas,
pousa de galho em galho.
Segue feliz.

Chris tem algo de Sininho.
Seu sorriso sincero
é seu pó de pirlimpimpim,
que generosamente espalha,
e, a todos, assim,
encanta por onde passa.

Chris tem algo de borboleta.
Na leveza de suas asas
carrega cores variadas.
Entre tintas e pincéis
ou “bordando palavras”,
semeia ao vento matizes
profundas e delicadas.

Outrora em voos rasantes
entre Natal e Rio,
ou os mais ousados,
para além do Brasil.

Na Espanha, emprestou aos mares e céus
todo azul dos olhos seus.

Sempre pronta para voar,
tinge agora os céus de Sampa
todo azul do seu olhar.

(VB)

BH, agosto/2010

quinta-feira, junho 10, 2010

SACIEDADE DOS POETAS VIVOS


Lançado oficialmente hoje, 10 de junho, mais um "Saciedade dos Poetas Vivos". Trata-se de uma Antologia Digital, já em seu décimo volume!, publicado pela Editora Blocos. Sendo uma temática diferente para cada volume, o tema da vez -- às vésperas do Dia dos Namorados-- não podia ser outro: "Beijos".

Conforme dizem os prefaciadores (e também editores de Blocos) Urhacy Faustino e Leila Míccolis "Beijos de todo o jeito e tipo e modos e maneiras: de saudade, de alegria, de tristeza, de Judas, de partida, de chegada, de rompimento, de adeus, roubado, tímido, falso, amargo, indiferente, calculista, formal, romântico, real, sonhado, respeitoso – na testa – o apressado selinho, o ardente, o indesejado, o mordido, o de amigo, o evitado, o de mãe e filho, e tantos mais.

Melhor, porém, é adotarmos aqui o pensamento de Dalton Trevisan: "Não fale, amor. Cada palavra, um beijo a menos". Por isto, sejamos breves, pois quanto mais falarmos de beijo, mais adiaremos o prazer por parte do leitor de ser beijado pela poesia."

Neste volume, participam, além de mim, 16 autores.

Agora é só acessar aqui e boa leitura!

domingo, junho 06, 2010


Teus beijos
ora suaves, ora intensos
exploram montes, grutas
e relevos
do corpo que arde
e explode
ao sabor dos teus beijos

(VB)

domingo, agosto 10, 2008

A poesia feminina afro-brasileira e africanas de LP

Estive ausente deste espaço durante todo o mês de julho, mas foi por um motivo justo: tive de entregar o trabalho final para a conclusão do curso de pós-graduação em Língua Portuguesa. O tema do meu artigo foi a poesia feminina afro-brasileira e africanas de língua portuguesa, cujo objetivo principal era verificar o discurso comum presente entre as seis poetisas estudadas. Infelizmente, apenas uma de cada país, por absoluta falta de espaço: o texto deveria ter, no máximo, vinte e cinco páginas.

As poetisas selecionadas foram: Alda Lara, de Angola; Alzira Cabral, de Cabo Verde; Odete Semedo, da Guiné-Bissau; Noémia de Sousa, de Moçambique; Manoela Margarido, de São Tomé e Príncipe e, por fim, Conceição Evaristo, do Brasil.

Com essa pesquisa aprendi um pouco mais sobre África e sua literatura. Apesar de todos os pesares que rondam o Continente Africano há, pelo menos, cinco séculos - e mesmo agora em tempos de independência - é sempre fascinante conhecer as raízes e a cultura desses povos que os livros de História pouco, ou quase nada, revelam.

Num dado ponto da minha pesquisa, li a seguinte frase que me deixou indignada: “a mulher é o negro do mundo”. Só neste momento é que atinei para o fato de que o meu trabalho, mais do que uma pesquisa, seria um desafio. E foi.

A realização desse trabalho permitiu-me concluir, com alguma tristeza, o quão incipientes são a literatura africana e a afro-brasileira, sobretudo a produzida por mulheres...

A literatura negra contemporânea, tanto em África portuguesa como no Brasil, ainda não tem o estatuto de “literatura oficial”. Infelizmente, essa literatura ainda não é suficientemente visível e nem reconhecida – pelo menos não o tanto que merece – pelos chamados “altos círculos literários”.

A poesia negra em geral só começou a ser publicada muito recentemente no Brasil: a partir dos anos 70. Coincidentemente – ou não(?) – é a mesma época de luta pela libertação colonial em África. Nesse ponto da história, o brasileiro afrodescendente assume com mais veemência sua Negritude, direcionando seus discursos de liberdade contra um sistema de total preconceito contra esse povo.

Assim como o africano o afro-brasileiro solta a voz contra as injustiças sociais sofridas ainda pelos resquícios da escravidão – um passado que teima em não passar! – e expressa sua revolta através da poesia.

As vozes-mulheres estudadas na pesquisa apresentam em comum a recuperação da dignidade perdida, de procura e de afirmação da identidade nacional: tanto as poetisas afro-brasileiras como as africanas, cada uma a seu modo, cada uma com seu estilo próprio, com sua voz única e específica.

O discurso comum aos dois continentes, nos seis poemas analisados, é o de mulheres socialmente engajadas, em busca do “eu” mais profundo e verdadeiro, em busca de suas raízes, num mergulho nas profundezas turbulentas de um passado “hediondo”, “inconseqüente” que insiste em se fazer presente...

O sentido de africanidade também é muito presente no discurso dessas mulheres; é tema recorrente um querer “ser africana”. Escrevem uma “realidade” que se revela repleta de dor, mas também de resistência. O eco dessas vozes-mulheres, africanas e afro-brasileiras, ressoa cada vez mais forte, em busca, de uma vez por todas, de “liberdade, ainda que tardia”.

Em Nome do Pai ou Um Suspiro de Felicidade

Ela morava com seu avô e mais três irmãos. Sabia que tinha um pai. Sabia o seu nome, onde morava, como vivia. Fisicamente era magro, pele branca, estatura mediana, cabelos castanhos claro e olhos cor de mel. Podia-se dizer que era um homem até bonito, embora fosse alcóolatra. Fazia-se “presente” de vez em quando. Algumas das vezes, até sóbrio...

Comemorar o dia dos pais era particularmente difícil para aquela menina, principalmente quando na escola a professora pedia a bendita composição em homenagem aos pais. A professora, insensível à sua angústia, não atinava ao fato de que a menina não tinha uma família padrão para a época: seus pais eram, além de separados, ausentes. Como ela nunca tivera o pai dos seus sonhos – aquele dos passeios aos domingos; aquele que ela pudesse sentir que estaria sempre por perto nas situações de medo; ou, simplesmente, aquele que lhe dissesse “filha, eu sou seu pai, estou aqui, conte comigo” – sempre perguntava: “professora, posso fazer a composição para o vovô?" E, incrivelmente!!, a professora respondia: “não, tem que ser para o papai”.

A menina, então, ano após ano, fez suas composições em homenagem ao pai dos seus sonhos. Assim, satisfazia à professora - que sempre lhe dava grau máximo pelos seus textos, sem se importar se correspondia ou não à realidade – e também a ela própria: pois, ali, no papel, em suas estórias, podia “inventar” o pai que quisesse.

Mais alguns anos se passaram e, desta vez sem pressões, decidiu fazer uma verdadeira homenagem ao seu pai. Mas para qual dos dois seria? O imaginário ou o real? Isso já não era mais importante... Aquela menina crescera e escreveu uma composição que começava assim:

Era grande a alegria que eu sentia, todas as tardes, sempre às 17h, quando acompanhava papai até à padaria da esquina.

Esse momento era esperado com ansiedade durante todo o dia. Primeiro, porque papai era somente meu naquele itinerário: de casa para a padaria. Segundo, porque, perto das 17h, eu já sentia o cheiro do suspiro vindo daquela casa de pães... Nossa! uma verdadeira iguaria!

Esta era uma cena diária – pena que só acontecia de dezembro a março - nos três meses de férias que passávamos, meus irmãos e eu, com papai: eu sentava na calçada em frente à nossa casa, esperava papai chegar do trabalho, pontualmente às 16h30. Quando papai aparecia lá no início da rua, eu corria para encontrá-lo e, íamos, então, ao suspiro.

"Seu" Joaquim, o dono da padaria, fugia das características de um português autêntico: era magrinho, tinha bom humor e parecia que estava sempre feliz. Contava muitas histórias sobre papai, pois o conheceu ainda bem pequeno - papai mora, há 78 anos, na mesma casa em que nasceu!! Dizia que papai, assim como eu, gostava de comer suspiros todos os dias. Dizia, também, que o "amor" era o ingrediente principal da receita de suspiros de dona Margarida, sua esposa, já falecida, com quem aprendeu a prepará-los.

Na época não entendi muito bem, mas, hoje, tenho certeza de que as "boas energias" contidas naquele suspiro quentinho, saído do forno no exato momento em que papai chegava na esquina da padaria, é uma das minhas melhores lembranças...

A imagem da felicidade, para mim, era aquela rotina simples: papai e eu, e o suspiro quentinho da padaria da esquina.
Veronica Benesi
Belo Horizonte, 10 de agosto de 2008.

quinta-feira, junho 12, 2008

Uma Singela Homenagem aos Manos Africanos


ÁFRICA
(Aos manos Africanos)


África
O que fizeram de ti...
.
África Negra
De tantas riquezas
Quanto mal a ti
Fizeram
À tua gente
À tua beleza
.
África Incolor
- porque a alma
não tem cor -
O que fizeram a ti
Ao longo
Desse monstruoso
Holocausto
- que perdura! -
De opressão e de dor

África Mãe
O que fizeram a ti...
.
Alheios
Ao teu consentimento
Teus filhos
Foram arrancados
Do teu seio
E acorrentados
Passaram a viver
Suas Histórias de porão
Por mares
Nunca d’antes navegados
O mar da escuridão...

O mesmo mar
Que tuas lágrimas
Ajudaram a salgar
.
África Retinta
Teu tão extenso
Continente
Diz a toda a gente
Tu és Preta
Tu és Black
Tu és Negra
Tu és Branca
És Negra Assa
[1]
Tu és Fula[2]
És Mama-África
.
Estás em todos
Os lares
Em todos os Cantos
E recantos
Desses Mares
.
Mas não apenas
Os de Lusitanos ares
.
Também, aqui,
Na América do Sul
Há uma gente
Que de irmã te chama
Que é parte de ti
E do teu drama
.
Uma gente
Que se orgulha
De ter teu sangue
Nas veias
Corrente
Teus descendentes
.
Somos nós
Da Terra das Palmeiras
Onde canta o sabiá
Teus manos
De cá
Das terras Brasileiras
.
Hoje um oceano nos separa
Mas aqui deixaste
Uma herança de base
A tua fala
Estás cotidianamente
Presente
No “pirão”, na “quitanda”,
No “samba”, no “fubá”...
- “Oxalá”!
.
África Diáspora
Agora mais do que nunca
Levanta-te
Toca teu tambor
Mostra ao mundo
A Cor
Desse teu imenso
Valor
.

(Veronica Benesi) Belo Horizonte, MG, Brasil, 02 de junho de 2008.

[1] Assa (A) — o negro albino
[2] Fula (A) — de cor parda e brilhante (filha de pessoa mulata e negra)

domingo, maio 11, 2008

Mãe x Tempo

Estava procurando uma gravura para anexar a esta mensagem que quero dedicar a vocês pelo Dia das Mães. Há uma infinidade de imagens de mães com suas crias. Imagens lindas em telas maravilhosas, que nos remete a uma singeleza singular, como um padrão do que é SER MÃE.

Escolhi, então, uma imagem menos canônica... Penso que, todas nós, mulheres contemporâneas, somos melhor representadas pela imagem do tempo, já que os tempos são outros. Há uma lacuna muito grande entre as mamães de séculos e décadas passadas e as mamães de hoje. É difícil conciliar o tanto de coisas que temos de fazer - e com perfeição! Não nos damos ao luxo de sermos imperfeitas! Embora vivendo nesta época em que a velocidade é soberana, e reina a facilidade de valores cada vez mais descartáveis.

Mas, ainda assim, nestes tempos modernos, de sentimentos conflitantes, há um sentimento que nunca será caracterizado como passageiro: o Amor Incondicional que uma mãe é capaz de oferecer.

Por isso, acho que tanto a imagem de Maria, mãe de Jesus, como a imagem do relógio (representando, aqui, a mãe faz-tudo dos dias atuais) pertencem ao mesmo campo semântico do SAGRADO...

Feliz Dia das Mães!!!

segunda-feira, maio 05, 2008

Um Cordel de Despedida

Aos professores e alunos
Do curso de Língua Portuguesa
Este cordel presta singela homenagem.
Trocamos experiências, quanta riqueza!
Aprendemos muito.
Mas não foi moleza!

"Que turminha boa, essa".
Ouvimos de quase todos os professores.
Era o que dizia a Cida,
E demais colaboradores.
E é a mais pura verdade,
Que se ouvia até pelos corredores.

Desde o primeiro encontro,
Foram sábados especiais.
E durante todo este ano
Nossa turma foi demais.
Houve logo entrosamento
E também cansaço, sono e tudo o mais.

Danada de competente,
Tivemos a Cida.
Muitas vezes ouvia: "Professora, libere a gente."
Mas não se dava por vencida
Dizia sempre:
"Vamos cuidar da vida".

Não podia ficar fora desta
Outra mestra: a Idalena.
Aprendemos um bocado
Com suas aulas plenas.
Quando acabou seu tempo
Foi, realmente, uma pena.

Com Zélia Versiani
Aprendemos leituras cruzadas.
Suas aulas especiais,
Primorosamente ministradas,
Com palavras e imagens geniais,
Eram, por todos nós, muito esperadas.

Delaine, também,
"Mandou bem o seu recado".
Como se costuma dizer
No sentido figurado.
Em suas aulas
Realizou um bom trabalho.

A mestra Consuelo falou sobre
O ensino de Gramática.
E também os passos de uma Resenha,
Na prática.
Os resultados, porém,
Deixaram-na apática!

Mas a vida de educador é assim...
E com o "seu" Bakhtin,
Veio, então, a Maria Ângela.
Aprendemos, enfim:
Gêneros textuais
É universo sem-fim.

Falemos, agora, do Gilcinei.
Entre subentendidos, pressupostos e dêiticos temporais,

O mestre da vez
Dava exercícios demais,
Que para o trabalho final
Foram vitais.

Juan Pablo
Para análise do discurso.
Nesta disciplina,
Quase fiquei no meio do percurso...
Vou tentar recuperar
No trabalho de final de curso.

Aprendemos com Carla Coscarelli
Que a tecnologia é sedutora,
E muito contribui para que a Educação
Se torne cada vez mais promissora.
Infelizmente, há quem a considere
"Adeus, professor; Adeus, professora".

Já ao final do curso tivemos a Else na Reescrita:
Uma das minhas disciplinas favoritas.
Consuelo, então, "pega carona"
E solicita:
"Revisemos as resenhas nas aulas da Else",
Ela habilita!!

Chegou, para o projeto de pesquisa,
A Tereza,
Que não tinha entrado na história.
Suas aulas, com certeza,
Muito nos ajudaram,
A concluir o projeto com clareza.

E, para todos nós,
Desejo um Feliz Natal.
E que se desatem todos os nós
Para um Ano Novo especial.
Querida turma da Pós,
Juntos, fomos fenomenais!


(Veronica - 16/DEZ/2007)

domingo, maio 04, 2008

O começo

Há dois “pontinhos”
Pulsando
Dentro de mim
Grávida
A Vida
Convida
Juliana e
Clara

Agora
Vejo luz nos olhos de Clara
Esperança nos olhos de Juliana
Nasceram unidas
Do ventre
Para a vida
Essas meninas
Minha Luz
Infinita
Minha vida
Reavida
Bem-vindas
Filhas
Tão, tão, Queridas

(Veronica - Jan/1999)

O computador e eu...

Achava que ter um blog era um bicho de sete cabeças. Não é. E aqui estou: conectada ao mundo!

O computador e eu nos conhecemos em 1990, quando trabalhava como secretária de diretoria, num escritório jurídico. A partir daquele momento tínhamos de trabalhar juntinhos, full time! Confesso que não foi nada fácil. A relação não era nada amigável da minha parte. Ele ficava ali, coitado, o tempo todo disponível, só esperando por um "carinho" meu. Relutei muito em aceitá-lo na minha rotina.

Na minha sala, tinha uma máquina de escrever "Olivetti", preta, linda, elétrica, de ultimíssima geração!!! Ela, sim, entendia perfeitamente a velocidade que eu precisava em meu trabalho.

Como a empresa investiu pesado naqueles novos equipamentos (computadores e impressoras) a chefia toda queria que fossem utilizados. Passaram a ser a menina dos olhos de todos naquele escritório. Aos meus olhos, porém, a "minha máquina" era ainda a melhor tecnologia. Mas, por ordens expressas e supremas, eu "tinha" de passar a trabalhar com "aquela coisa". Ô tempos difíceis aqueles! O papel sempre agarrava na impressora! Sim, porque não se usava papel "normal". Usávamos o que era chamado de formulário contínuo. Além disso, eu também tinha "problemas" no teclado: quase enlouqueci com tantos efes (do F1 ao F12!!) até decorar suas funções!

O mais engraçado dessa história é que eu sentia que aquela nova rotina, a qual eu "tinha" de me adaptar, parecia uma batalha - no exato sentido desta palavra. Era como se nós dois - aquela inovação tecnológica e eu - guerreássemos o tempo inteiro. Aquela nova máquina parecia brincar com a minha competência o tempo todo. Usando "aquilo" eu nunca conseguia entregar meu trabalho no prazo determinado.

Daí, voltei a teclar a minha boa e velha "Olivetti". Velha???!! Sim. Àquela altura do campeonato ela já era - definitivamente - obsoleta... Depois que voltei a usá-la percebi que a nossa relação tornara-se meio estremecida. Tentei fingir que estava tudo bem entre nós; que aquele "casamento" ainda seria possível. Mas os sentimentos já não eram os mesmos, pois já conseguia ver com bons olhos, por exemplo, o backspace ou delete do teclado do computador quando tinha de apagar uma letra ou frase ou até mesmo parágrafos inteiros de um texto. Vocês conseguem imaginar o tamanho da minha felicidade ao descobrir que não mais precisaria usar aquela folha de corretivo em pó? Não. Quem não é dessa época não pode dar a dimensão exata do que representou essa descoberta para mim.

Pude, finalmente, entender que tudo o que eu precisava para conseguir operar aquela "maravilha" era ter apenas um pouco de paciência, e estar aberta às mudanças que acompanham toda novidade. E o melhor de tudo isso foi ter entendido, também, que a máquina de escrever não deixou de existir, mas, apenas, ganhou um outro formato. Evoluiu. Assim como todas as invenções evoluem. Há sempre um "novo" a surgir.

Hoje, não trabalho mais como secretária. Sou educadora quase especialista em Língua Portuguesa com ênfase em Produção de Textos. E para seguir essa carreira, além de ensinar, há que se saber aprender. Pôr-se no lugar de aluno. Atualizar-se. E, nisso, a tecnologia digital é grande aliada. Nós, profissionais de educação, em qualquer área do conhecimento - mas principalmente os de língua materna – precisamos utilizar essa poderosa ferramenta. Precisamos aproveitar em sala de aula todos os benefícios que a tecnologia da comunicação vem oferecendo a todos nós.

Como vocês podem notar, eu também evoluí. Ao adquirir as habilidades necessárias para lidar com o "meu" computador, ficou muito claro, para mim, que jamais nos separaríamos.

Belo Horizonte, 30 de outubro de 2007