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domingo, outubro 10, 2010

Pense nisto...

"A loucura é vizinha da mais cruel sensatez. Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente. O anel que tu me deste era de vidro e se quebrou e o amor não acabou, mas em lugar de, o ódio dos que amam."

Clarice Lispector



(In, "Tempestade de Almas", do livro Onde Estivestes de Noite. Ed. Rocco, 1999, pp. 91)

segunda-feira, dezembro 28, 2009

FELIZ 2010 !!

A mensagem é de Natal, mas, como toda boa poesia, acalenta a alma em qualquer época do ano.
Espero que a noite do Natal tenha sido boa para todos vocês, e que em 2010 tenhamos colheita farta de tudo o que plantamos em 2009.















Leia aqui sobre o autor

domingo, dezembro 06, 2009

UM POETA E UM POEMA (5)

Jornalista, nascida em São Paulo em 1958, Esmeralda Ribeiro faz parte da Geração Quilombhoje, que atua nos movimentos de combate ao racismo e na construção de uma ‘Literatura Negra’, a partir do resgate da memória e das tradições africanas e afro-brasileiras. A autora participa regularmente de Seminários e de Congressos nacionais e internacionais, sempre apresentando estudos sobre escritoras afro-descendentes, com o objetivo de incentivar uma maior atuação da mulher negra na literatura. Nos anos 80, foi das poucas mulheres a integrar as discussões do I e do II Encontros de Poetas e Ficcionistas Negros Brasileiros: “quero falar de ‘nós’ porque o tempo sempre nos deixou atrás das cortinas, camuflando-nos geralmente em serviços domésticos. Agora, o tempo é outro. É desse tempo que vou falar”. (Criação crioula, nu elefante branco, p. 59)

OLHAR NEGRO
Esmeralda Ribeiro

Naufragam fragmentos
de mim
sob o poente
mas,
vou me recompondo
com o Sol
nascente,

Tem
Pe
Da
Ços

mas,
diante da vítrea lâmina
do espelho,
vou
refazendo em mim
o que é belo

Naufragam fragmentos
de mim
na coca
mas, junto os cacos, reinvento
sinto o perfume de um novo tempo,

Fragmentos
de mim
diluem-se na cachaça
mas,
pouco a pouco,
me refaço e me afasto
do danoso líquido
venenoso

Tem
Pe
Da
Ços

tem
empilhados nas prisões,
mas
vou determinando
meus passos para sair
dos porões

tem
fragmentos
no feminismo procurando
meu próprio olhar,
mas vou seguindo
com a certeza de sempre ser
mulher

Tem
Pe
Da
Ços,

mas
não desisto
vou
atravessando o meu oceano
vou
navegando
vou
buscando meu
olhar negro
perdido no azul do tempo
vou
vôo,
 
(In: Cadernos negros: os melhores poemas, pp. 64-6)

Informações bibliográficas tiradas daqui
Foto tirada daqui

quinta-feira, outubro 01, 2009

UM POETA E UM POEMA (3)

A poeta da vez é Christina Ramalho. Carioca, nascida em 1964, a Chris é mestre e doutora em Semiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além de artista plástica (dona de belíssimas pinturas!), é também escritora de mão cheia: ensaísta, cronista, contista, poeta, crítica literária, tendo vários livros publicados.

Foi minha professora de Literatura no curso de Letras. É, para mim, um exemplo de profissional e, acima de tudo, de ser humano. (Imagem tirada daqui).

Sina
(Christina Ramalho)

Mundo, mundo, vasto mundo,
e eu que me chamo Raimunda,
feia de cara, boa de bunda,
terei uma solução?
Será que esta minha sina
de guardar a forma feminina
deixa mostrar em meu verso
quão vasto é o meu coração?

Na face trago as lágrimas
de cebolas e de paixões
e minhas pernas, fumês e amarelas,
passam no bonde das estações.
Amo inventando penas,
me ensinaram a amar assim...
Mundo, mundo, vasto mundo,
o que será que será de mim?

Peço a Deus que me conceda
nada pedir tudo ver.
Duro viver nesta terra estranha
onde ter entranhas faz padecer.
Vasto, vasto, mundo vasto,
te pergunto e me desgasto:
se o versejar é meu pasto,
terei eu o que comer?

Espero resposta deitada
de flanco sobre o lençol,
nos sonhos eu viro onda
e o sonho é meu farol.
E se disseres - levanta! -
levanto e vou para a faxina.
E se disseres - derrama! -
derramo em versos minha sina.

Mundo, mundo, amargo mundo...!
Mas doce é minha intenção
de velar tua amargura
com rimas de compreensão.
Mundo, mundo, amargo mundo,
não veja nisto submissão.
O que eu quero é uma voz
gritando suave como canção.


(In A Lírica Brasileira do Século XX, p. 136, de Anazildo Vasconcelos da Silva).

Saiba mais sobre a autora aqui e aqui

sábado, agosto 16, 2008

Li, gostei e recomendo

"O diabo que te carregue" (romance, 2006), de Stella Florence*, é um livro de leitura fácil, descomplicada, objetiva. Com sua escrita leve e bem-humorada, a autora aborda um tema bem comum nos dias atuais: a separação de casais, que, quase sempre, não é nada amigável... É leitura bastante interessante mesmo para aquele(a)s que não estejam passando por esse difícil momento. Difícil porque uma separação nunca vem sozinha: vem sempre acompanhada de outros sentimentos nada fáceis de serem administrados... Ainda assim, dei muita risada, algumas cenas são hilárias como esta aí. Quem já passou por isso sabe que é desse jeito mesmo! ;-)
"É inevitável sentir raiva do seu ex, tanto quanto é inevitável chover em Ubatuba. Por mais que ele seja uma pessoa boa e blábláblá, agora ele é um ex-marido e ex-maridos são feitos para ser, pelo menos nos primeiros meses da separação, no máximo, tolerados. Por isso, quando seu ex te ligar para saber das crianças, ceife o sorrisinho de boa moça da sua cara, pare de mentir para si mesma e, ao desligar o telefone, grite alto o bastante para que você possa ouvir o que só a você interessa: 'Que o diabo te carregue, seu cretino!'. Com exclamação, por favor. E muito bem pronunciado, fazendo as palavras arranharem a garganta. Depois você pode experimentar variações sobre o mesmo tema. Vá comer quiabo com tofu no meio do inferno! Vá fazer a barba com gilete enferrujada no vale do Belzebu! Vá arrancar os dentes com o dr. Mefisto! Nem sempre é necessário gritar, você pode sibilar, falar fininho e em falsete coisas como: por que você não morre? Ou então: o que você acha de eu despejar um tubo de Superbonder no seu pinto? Ou ainda: você já mascou seu fardo de capim hoje, meu bem?
A não ser que você já tenha alcançado as culminâncias da santidade, é importante assumir as raivas e mágoas que sente do seu ex. Sem admiti-las como filhas legítimas da sua dor, sem reconhecer-lhes a presença, sem olhar bem fundo nos seus olhos remelentos, elas nunca vão te deixar em paz. E paz é tudo o que se quer depois de uma separação."
*Stella Florence nasceu em São Paulo (onde vive até hoje) aos 14 de abril de 1967, tem uma filha, 30 tatuagens. É autora de seis livros, são eles: Hoje Acordei Gorda (contos, 1999); Por Que os Homens Não Cortam as Unhas dos Pés? (contos, 2000); Ele me Trocou por Uma Porca Chauvinista (contos, 2001); Ciúme, Chulé e um Apelido Ridículo (romance, 2002); Ser Menina é Tudo de Bom! (crônicas, 2005), todos pela Editora Rocco.

sexta-feira, agosto 15, 2008

Poesia Afro-Brasileira Contemporânea

Vozes-mulheres
Conceição Evaristo*

A voz de minha bisavó ecoou
criança
nos porões do navio.
Ecoou lamentos
De uma infância perdida.

A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.

A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
No fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado rumo à favela.

A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue
e
fome.

A voz de minha filha recorre todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.

A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem - o hoje - o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
o eco da vida-liberdade.



* Maria da Conceição Evaristo de Brito, nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1946. Em 1973, depois de ter concluído, em 1971, o antigo Curso Normal pelo Instituto de Educação de Minas Gerais, presta concurso no Rio de Janeiro e se ingressa no magistério público. É graduada em Letras (Português-Literatura) pela UFRJ. É mestre em Literatura Brasileira pela PUC/RJ e Doutoranda em Literatura Comparada na UFF. Esteve como palestrante em 1996, nas cidades de Viena e de Salzburgo/Áustria e, em 2000, Mayagüez, Porto Rico, falando sobre Literatura Afro-brasileira.
Seus poemas são publicados, anualmente, desde 1990, na coletânea Cadernos Negros, do grupo Quilombhoje.
Publicou dois romances intitulados “Ponciá Vivêncio” (2003) e “Becos da Memória” (2006).

domingo, agosto 10, 2008

A poesia feminina afro-brasileira e africanas de LP

Estive ausente deste espaço durante todo o mês de julho, mas foi por um motivo justo: tive de entregar o trabalho final para a conclusão do curso de pós-graduação em Língua Portuguesa. O tema do meu artigo foi a poesia feminina afro-brasileira e africanas de língua portuguesa, cujo objetivo principal era verificar o discurso comum presente entre as seis poetisas estudadas. Infelizmente, apenas uma de cada país, por absoluta falta de espaço: o texto deveria ter, no máximo, vinte e cinco páginas.

As poetisas selecionadas foram: Alda Lara, de Angola; Alzira Cabral, de Cabo Verde; Odete Semedo, da Guiné-Bissau; Noémia de Sousa, de Moçambique; Manoela Margarido, de São Tomé e Príncipe e, por fim, Conceição Evaristo, do Brasil.

Com essa pesquisa aprendi um pouco mais sobre África e sua literatura. Apesar de todos os pesares que rondam o Continente Africano há, pelo menos, cinco séculos - e mesmo agora em tempos de independência - é sempre fascinante conhecer as raízes e a cultura desses povos que os livros de História pouco, ou quase nada, revelam.

Num dado ponto da minha pesquisa, li a seguinte frase que me deixou indignada: “a mulher é o negro do mundo”. Só neste momento é que atinei para o fato de que o meu trabalho, mais do que uma pesquisa, seria um desafio. E foi.

A realização desse trabalho permitiu-me concluir, com alguma tristeza, o quão incipientes são a literatura africana e a afro-brasileira, sobretudo a produzida por mulheres...

A literatura negra contemporânea, tanto em África portuguesa como no Brasil, ainda não tem o estatuto de “literatura oficial”. Infelizmente, essa literatura ainda não é suficientemente visível e nem reconhecida – pelo menos não o tanto que merece – pelos chamados “altos círculos literários”.

A poesia negra em geral só começou a ser publicada muito recentemente no Brasil: a partir dos anos 70. Coincidentemente – ou não(?) – é a mesma época de luta pela libertação colonial em África. Nesse ponto da história, o brasileiro afrodescendente assume com mais veemência sua Negritude, direcionando seus discursos de liberdade contra um sistema de total preconceito contra esse povo.

Assim como o africano o afro-brasileiro solta a voz contra as injustiças sociais sofridas ainda pelos resquícios da escravidão – um passado que teima em não passar! – e expressa sua revolta através da poesia.

As vozes-mulheres estudadas na pesquisa apresentam em comum a recuperação da dignidade perdida, de procura e de afirmação da identidade nacional: tanto as poetisas afro-brasileiras como as africanas, cada uma a seu modo, cada uma com seu estilo próprio, com sua voz única e específica.

O discurso comum aos dois continentes, nos seis poemas analisados, é o de mulheres socialmente engajadas, em busca do “eu” mais profundo e verdadeiro, em busca de suas raízes, num mergulho nas profundezas turbulentas de um passado “hediondo”, “inconseqüente” que insiste em se fazer presente...

O sentido de africanidade também é muito presente no discurso dessas mulheres; é tema recorrente um querer “ser africana”. Escrevem uma “realidade” que se revela repleta de dor, mas também de resistência. O eco dessas vozes-mulheres, africanas e afro-brasileiras, ressoa cada vez mais forte, em busca, de uma vez por todas, de “liberdade, ainda que tardia”.

domingo, maio 25, 2008

Poesia Brasileira Contemporânea

O AMOR É CAMISA
Neide Archanjo*

O amor é camisa
que se carrega sobre o esqueleto
sem saber que por dentro
está cerzido o Tempo.

E passa o Tempo por dentro
das pedras não decifradas
dos mapas portugueses
do oceano que já foi mar
e antes rio
do assassinato do fundista solitário.

E passa o Tempo por dentro
de Publio Virgilio Marão
sonhando Enéias
de Ragusa no Adriático
dos navegantes de Urano e Netuno
de certos tons de abril
que será sempre e estranhamente
abril.

E passa o Tempo por dentro
do bisavô Affonso Donato
visitado por um anjo
no dia da sua morte.

E passa o Tempo por dentro
da Quinta Sinfonia de Mahler
das janelas de Veneza
dos 150 Salmos de Israel
e daquilo que se amou de verdade.

Passa o Tempo por dentro
desta página
como passa o incenso
por dentro do labirinto
de um relógio chinês.

*Poeta, advogada, psicóloga. Paulista, radicada no Rio de Janeiro. Estreou na poesia em 1964, com o livro "Primeiros Ofícios da Memória". Desde então, criou e participou de movimentos como "Poesia na Praça", varais de poesia, espetáculos em teatro, cafés, faculdades, bibliotecas, festivais nacionais e internacionais de poesia e arte. Criou e implantou a Oficina Literária da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Foi bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian na qualidade de poeta residente, em Portugal. Seus poemas figuram em antologias nacionais e estrangeiras. É considerada pela crítica uma das autoras brasileiras mais significativas da geração que surgiu na década de 60. Foi assessora da Biblioteca Nacional e membro do Conselho Editorial da Revista "Poesia Sempre". Nos anos de 1980 e 2000 recebeu da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) os prêmios de poesia. Foi indicada para o prêmio Jabuti de poesia em 1995, pelo livro "Tudo é Sempre Agora". Os poemas de seu livro "Pequeno Oratório do Poeta Para o Anjo" foram gravados por Maria Bethânia. Possui onze livros publicados, sendo que "Soraya – uma princesa Sefardita" é edição bilíngüe, francesa. Em 2005, ganhou o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 2006, pela publicação de sua Obra Completa, comemorando 40 anos de poesia, obteve, pela segunda vez consecutiva, o prêmio de Poesia da Academia Brasieira de Letras, o Jabuti de Poesia e o Prêmio da Associação Brasileira dos Escritores.

sábado, maio 10, 2008

Poesia Afro-Brasileira Contemporânea

RESGATE
Alzira Rufino*

Sou negra ponto final
devolvo-me a identidade
rasgo a minha certidão
sou negra
sem reticências
sem vírgulas
sem ausências
sou negra balacobaco
sou negra noite cansaço
sou negra
ponto final


*Na 3ª. série do Ensino Fundamental, Alzira Rufino recebeu seu primeiro prêmio de redação. Aos 14 anos, escrevia textos infantis para peças encenadas na escola. Aos 18 anos, num concurso de redação para funcionários da Santa Casa de Santos, foi a primeira colocada e recebeu prêmio, em dinheiro, do Banco Francês que patrocinou a atividade.
Lançou, em 1986, o Coletivo de Mulheres Negras da Baixada Santista.
Madrinha do Bloco Infantil Maria Infância com Crianças do Bairro do Mercado-Em 1987, criou o Coral Infantil Omó Oyá. Em 1988, criou o Grupo de Dança Afro Ajaína. Em 1990, fundou a Casa de Cultura da Mulher Negra.
Foi a primeira escritora negra a ter seu depoimento gravado no Museu de Literatura Mário de Andrade, em São Paulo, SP. Convidada da III Feira Internacional do Livro Feminista, realizada em 1988, no Canadá, onde participou de um painel internacional de escritoras negras e lançou o livro de poemas "Eu, mulher negra, resisto”, de sua autoria. Convidada da V Feira Internacional do Livro Feminista, na Holanda (l992) e da Feira do Livro em Paris (1993).
Profissional de saúde (enfermagem). Ativista e articulista do movimento negro e do movimento de mulheres. Coordena, desde 1990, um serviço de apoio jurídico ,e psicológico na Casa de Cultura da Mulher Negra, que atendeu, anualmente, cerca de 500 pessoas vítimas de violência racial, doméstica e sexual
Convidada de vários países como França, México, Canadá, Perú, Panamá. Equador, Chile, EUA, Inglaterra, Alemanha, India, Bélgica, África do Sul, Áustria, Itália e Holanda dando consultoria, capacitação, palestras sobre Violência Racial, Doméstica e Sexual, tendo um destaque na consultoria, avaliação e assessoria para Agências Internacionais em projetos de Casas Abrigo e Violência contra a Mulher na área rural em África do Sul nos anos de1997 e 1998. Editora da Revista Eparrei, criada em novembro de 2001, de periocidade semestral.
Publicações:
– Artigos em jornais da Baixada Santista, no Estado de SP e em revistas do Brasil, dos Estados Unidos, Canadá, Grã- Bretanha, Índia, França, Chile, Senegal e Holanda.
– Livros:
. Co-autora de Mulher negra tem história: Santos, SP; ed. Autora, 1987; O Livro da Saúde das Mulheres Negras. Jurema Werneck, Maisa Mendonça e Evelyn C. White (Org.) Pallas, 2000; Antologia “Finally us, publicação bilíngüe português/inglês”, com poetas negras do Brasil.
. Autora de: Mulher negra, uma perspectiva histórica: Santos, SP; ed. autora; 1987; Eu, mulher negra, resisto: Santos, SP; ed. ed. autora; 1987; Poesia: Muriquinho piquininho: Santos/SP; ed. Autora, 1989 (ficção para crianças); O poder muda de mãos não de cor: Santos, SP; ed. Autora, 1996; (estudo comparativo sobre a situação da mulher negra e da mulher branca na área de trabalho, educação e participação política), e Qual o quê! (ficção), ed. Autora.
Indicada ao Prêmio Mil Mulheres para o Nobel da Paz em 2005 Título de Cidadã Emérita da Cidade de Santos, Medalha de Mérito da Câmara Federal dos Deputados. Agraciada com cerca de 98 medalhas, Menção Honrosa e Diplomas incluse de Embaixadora da Cultura Negra pela OAB e PMDB-Santos Diploma de Mulher Negra Internacional pelo IBPN-Honra ao Mérito da Câmara Municipal de Ribeirão Pires-Troféu Mulher Destaque da Igreja Batista-Igreja Adventista -Diploma da Intecab-Baixada Santisa-.Homenagens das Mulheres na Africa do Sul-Cabo Verde-Moçambique-Angola-Londres-Paris -Homenagem do Clube Soroptimista Internacional de Santos como Mulher Destaque - Área Direitos Humanos/Status da Mulher .
2008-Livro :Eu Mulher Negra Insisto e não Desisto-(No Prelo)
• Foi tema de tese de doutorado de Dawn Duke, do Department of Hispanic Languages and Literatures, University of Pittsburgh, USA: "Alzira Rufino’ s Casa de Cultura da Mulher Negra as a form of female empowerment: a look at the dynamics of a Black Women’s organization in Brazil today”, 2003.